Sobre o curso
O ensaio é um gênero de escrita que não tem definição precisa. Ele pode assumir formatos diversos e sobre os mais diferentes assuntos, enquanto o texto vai costurando ideias, como um pensamento em ação que se oferece ao leitor. O termo ensaio tem origem no francês, significando ‘tentativa’ ou ‘experimento’. Trazendo a marca autoral, o ensaio não comprova, tateia. Não conclui, persegue.
Nos quatro encontros desta oficina, Laura Erber explora com os participantes o ensaio como gênero híbrido entre literatura e reflexão, onde é preciso se lançar numa espécie de pega-pega do pensamento, tocando ideias com a ponta da língua. Partindo de exemplos inspiradores – de Ana Cristina Cesar, John Berger, Susan Sontag, Walter Benjamin e outros – vamos investigar o ensaio como forma de pensamento inquieto que se realiza na própria escrita, seguindo o pulso literário do idioma.
Encontro 1 — Escrever os modos de ver
– John Berger e Jun’ichiro Tanizaki.
– Penumbra e política do olhar.
– Descrição sensorial vs. montagem e desmontagem da lógica cultural da imagem.
Encontro 2 — Ler a leitura: crítica cultural e interpretação:
– Ana Cristina Cesar e Susan Sontag.
– Leitura como performance crítica.
– Sensibilidade, gênero e cultura.
– O ensaio como intervenção no tempo presente.
Encontro 3 — O ensaio como pergunta
– Roberto Schwarz e A. K. Ramanujan
– O ensaio como pergunta sobre a época e o lugar
– Captação de múltiplas lógicas culturais.
– O ensaio como reflexão sobre nação e literatura.
Encontro 4 — O ensaio como forma de convívio
– Walter Benjamin e María Zambrano
– O ensaio como convívio íntimo com a literatura
– Meditação literário-filosófica e microanálise literária.
– Saber ler como saber sentir com o pensamento.