Sobre o curso
Nas artes da palavra, muitas vezes o não-dito se tornou sinônimo de qualidade estética. Elogiamos um livro ou um filme quando, diante de situações difíceis de nomear, nada é dito diretamente e tudo é sugerido. Pensemos, por exemplo, numa situação de violência como os abusos sexuais: quanto mais um texto narra pelas bordas, sem falar diretamente do ocorrido, mais ele é considerado literariamente bom.
O verso Diga toda a verdade, mas diga-a de forma oblíqua (‘Tell all the truth but tell it slant’), da poeta Emily Dickinson, já resumia bem a ideia de que o implícito tem mais valor estético do que o explícito. Sem dúvida, o não-dito é importante na literatura e está no cerne de textos belíssimos. É preciso sempre deixar alguma coisa para a imaginação do leitor.
No entanto, ao revisitar o valor do implícito nas artes, este curso pretende questionar por que aquilo que é explicitado costuma ser considerado algo menor. Por que evitamos as palavras? Na literatura contemporânea vem se ampliando bastante a tendência para dizer as coisas como elas são. Nos dois encontros do curso, partindo de questões levantadas por Édouard Louis e Georges Didi-Huberman, Tatiana Salem Levy discute com os participantes o uso do implícito e do explícito, em autores como Vladimir Nabokov, Annie Ernaux, Angélica Freitas e Neige Sinno, entre outros, abrindo também para exemplos de filmes que lidam com essas questões.