{"id":1022,"date":"2020-10-10T17:14:50","date_gmt":"2020-10-10T20:14:50","guid":{"rendered":"https:\/\/escrevedeira.doois.com.br\/partidas-em-tres-tempos\/"},"modified":"2024-10-03T15:55:33","modified_gmt":"2024-10-03T18:55:33","slug":"partidas-em-tres-tempos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/escrevedeira.com.br\/partidas-em-tres-tempos\/","title":{"rendered":"PARTIDAS EM TR\u00caS TEMPOS"},"content":{"rendered":"<p><em>Leia a seguir tr&ecirc;s contos curtos de Nicole Alfieri, Flavia Castro e Ang&eacute;lica Bevilacqua &ndash; participantes das oficinas de escrita criativa de Noemi Jaffe na Escrevedeira. Os textos foram produzidos a partir do trabalho sobre &ldquo;ponto cego&rdquo; na escrita, com base num ensaio de Javier Cercas, para quem um bom romance &eacute; aquele que mant&eacute;m o leitor em estado de ambiguidade, fazendo perguntas mais do que oferecendo respostas. A proposta de Noemi foi a escrita de um conto narrando uma partida desportiva com &ecirc;nfase no placar, mas de maneira que o leitor n&atilde;o saiba qual o resultado final. Divirtam-se!<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>PERDOA-TE OU TE DEVORO<\/strong><\/p>\n<p><em>Nicole Alfieri<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Net<\/em>. O vulto invade a quadra ainda mais veloz, ainda mais vulto, e desliza com a bola desfalecida para fora. Falta muito pouco, cada vez mais. O peso de quinze mil vozes atrai outra bola para fora do bolso feito um foguete contra a a&ccedil;&atilde;o da gravidade, o planeta puxa puxa puxa, reclamando que a natureza de tudo &eacute; ficar, at&eacute; que, enfim: o sil&ecirc;ncio.<\/p>\n<p>O sol &eacute; ela e mais uma, e todo mundo sabe o que acontece quando duas estrelas colidem. Ainda assim querem ver de perto, os ingressos para o Coliseu chegam &agrave; faixa dos milhares de d&oacute;lares, por todos os lados o alarde da despedida das quadras diante da jovem revela&ccedil;&atilde;o, vai sucumbir!, vai superar?, uma <em>win-win situation<\/em> para os amantes do t&ecirc;nis, n&atilde;o &eacute; mesmo?, a rep&oacute;rter sorri, como se dois corpos pudessem ocupar um mesmo espa&ccedil;o.<\/p>\n<p>Saca de novo. Se ao inv&eacute;s disso pensasse, pensaria que fora da quadra os gritos engasgados pesam mais que a manifesta&ccedil;&atilde;o livre, mas dentro da quadra n&atilde;o. O sil&ecirc;ncio aprisiona nas arquibancadas as cabe&ccedil;as reviradas, os est&ocirc;magos acelerados, os cora&ccedil;&otilde;es fundidos, exatamente onde devem ficar.<\/p>\n<p>O patrocinador &eacute; um p&aacute;lido ponto azul; ele, o Duque e a Duquesa, a ta&ccedil;a e suas asinhas diminutas que ela n&atilde;o ergue h&aacute; tr&ecirc;s temporadas, desviada pelo joelho e a juventude da estrela-Mo&ccedil;a, mais r&aacute;pida, mais eficiente e at&eacute; mais bonita, como as manchetes insinuam com adjetivos que escapam para dentro ou para fora do texto. O corpo celeste &eacute; esguio, a cabe&ccedil;a com fios dourados e nada p&aacute;lidos querendo cegar as vistas cansadas. A bola vai e v&ecirc;m, v&atilde;o e vem as bocas sedentas.<\/p>\n<p>Os rom&acirc;nticos chamam de passagem de bast&atilde;o, os m&eacute;dicos de desgaste da patela, os sensacionalistas &eacute; que d&atilde;o nome aos bois. Velha, contundida, desequilibrada, abalada. O jornalismo esportivo n&atilde;o passa de um tabloide que se leva a s&eacute;rio &agrave;s custas de dados t&eacute;cnicos: t&iacute;tulos, velocidade do saque, cirurgias, aces, anos de carreira celebrados s&oacute; depois da p&aacute;gina dois, ela pensa sem pensar, identificando a posi&ccedil;&atilde;o da cabe&ccedil;a resplandecente &agrave; sua frente e cutucando a bola na dire&ccedil;&atilde;o oposta como quem remove um p&ecirc;lo da trama do casaco.<\/p>\n<p>Os aplausos s&atilde;o rugidos da plateia de le&otilde;es, ansiosos porque falta t&atilde;o pouco para engolir qualquer uma das gladiadoras, o matchpoint &eacute; da velha apagada, mas o saque &eacute; da outra, e ela amaldi&ccedil;oa o joelho em chamas, o pulm&atilde;o desesperado, o veloc&iacute;metro que prenuncia um saque incinerante. Ela mesma quer estra&ccedil;alhar as coxas frescas e promissoras, roer at&eacute; os ossos, e ao mesmo tempo abra&ccedil;ar o &oacute;dio que sente de cada uma das suas c&eacute;lulas envelhecidas, como perdoar o corpo, como perdoar o tempo, ela n&atilde;o se pergunta.<\/p>\n<p>O juiz controla os rugidos e ela n&atilde;o enxerga nada, focada na esfinge ensolarada diante dela, a bola ricocheteando entre o ch&atilde;o e a m&atilde;o, o ch&atilde;o e a m&atilde;o e enfim rasgando o ar, e antes mesmo de receber o saque ela sabe que s&oacute; tem uma chance, a chance de a jovem tamb&eacute;m n&atilde;o se perdoar, que a &uacute;nica chance de quem n&atilde;o se perdoa &eacute;, de novo, o canto indefeso, a jovem em rota de colis&atilde;o, um tapa com luva de pelica, os le&otilde;es prestes a escapar das jaulas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>MORTE S&Uacute;BITA<\/strong><\/p>\n<p><em>Ang&eacute;lica Bevilacqua<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cada m&uacute;sculo do seu corpo treme e se contrai no fim da prorroga&ccedil;&atilde;o. Campeonato nacional, partida decisiva, zero a zero. Uma fisgadinha na virilha, a garganta seca, at&eacute; as panturrilhas pedem &aacute;gua. Despeja a &aacute;gua no rosto como ben&ccedil;&atilde;o, agita o corte ousado do cabelo espalhando nuvens de got&iacute;culas, se joga no gramado ao lado dos companheiros avaliando a dist&acirc;ncia entre a marca e o gol, as traves que parecem ter encolhido, olhos muito abertos como se fossem engolir a torcida, nem pensar no contr&aacute;rio, ser engolido. Na &uacute;ltima disputa por p&ecirc;naltis o goleiro veio at&eacute; ele encarando, sussurrando conhe&ccedil;o o seu &acirc;ngulo, seu filho da puta, t&ocirc; sabendo da trave que tu pegou contra o Botafogo, sei pra onde tu vai chutar. A prontid&atilde;o na resposta olho no olho: a tua que t&aacute; nas rua. E gooool.<\/p>\n<p>Mas n&atilde;o tem por onde, ele sabe que qualquer um dos vinte e dois j&aacute; ter&aacute; sido escolhido pelo acaso para selar a vit&oacute;ria ou entreg&aacute;-la ao advers&aacute;rio, cada chuteira, cada meia colada na perna, cada camisa suja, o corpo l&aacute; dentro sabendo desde as unhas dos p&eacute;s at&eacute; o &uacute;ltimo toco de cabelo que aquilo &eacute; sim um corredor da morte: morrer num clube chinfrim ou ser al&ccedil;ado ao c&eacute;u do futebol, brilhar entre as estrelas na Europa. J&aacute; foi sondado pela Juve de Torino, repete o nome, Djuve, biancchi e neri como o cora&ccedil;&atilde;o corinthiano, precisa aprender a pronunciar buongiorno, bondjorno, uma agulhada na panturrilha, passa a m&atilde;o massageando, nada para se preocupar. E l&aacute;, sim, vai jogar o tal de calcio, caltchio como diz o pai, afrontare o goleiro, n&atilde;o, o portiere; o corner ser&aacute; o calcio d&rsquo;angolo, o t&eacute;cnico o alenatore, mas a aporrinha&ccedil;&atilde;o vai ser igual: n&atilde;o olha pra bola, presta aten&ccedil;&atilde;o no advers&aacute;rio, n&atilde;o fica olhando pra bandeirinha, eu sei que ela &eacute; linda, mas se concentra no gol, marcar o gol. Tudo bem, est&aacute; preparado, s&oacute; falta aprender o palavr&atilde;o italiano.<\/p>\n<p>A fila vai se formando, o juiz orienta, o t&eacute;cnico mandando ficar na rabeira, claro, ele sabe que &eacute; um batedor refinado, pode vir a ser o melhor artilheiro da sua gera&ccedil;&atilde;o, ainda &eacute; muito jovem, e o pai gritando da arquibancada, apontando a medalha, aprendeu com ele a chamar de morte s&uacute;bita, n&atilde;o tem nada errado com esse nome, n&atilde;o, filho, ningu&eacute;m morre, quem morre &eacute; a partida. Sim, beija a medalhinha pendurada no peito, beijar&aacute; outra vez antes do chute, discret&iacute;ssimo, antes de grudar o olho no olhar errante do goleiro, antes da finta, se vai pra direita ou pra esquerda, torcer sem pensar a cintura t&atilde;o r&aacute;pida que o coitado vai ficar mais tonto do que j&aacute; est&aacute;, engolir todos aqueles gols indefens&aacute;veis. Se posiciona diante da marca de cal, se abaixa, percebe a depress&atilde;o bem no meio da mancha branca, hummm, aquilo pode desviar o chute, ajeita a bola mais para a beiradinha, espera n&atilde;o ser visto.<\/p>\n<p>O juiz apita, sil&ecirc;ncio absoluto no est&aacute;dio lotado. A morte, essa que pega a gente, s&oacute; vem se ele deixar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AQUECIMENTO<\/strong><\/p>\n<p><em>Fl&aacute;via Castro<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Deve ter sido para castigar essa ideia-de-mula do t&eacute;cnico, pra que isso, gente, Titulares contra Reservas, no campo do clube, aberto a quem quisesse ver. Ningu&eacute;m imaginaria essa frustra&ccedil;&atilde;o lotada, menos ainda um p&uacute;blico daqueles em pleno domingo de cl&aacute;ssicos futebol&iacute;sticos na TV. Aos Titulares, os nomes estampados em letras mai&uacute;sculas nas camisas, aos Reservas, os n&uacute;meros. E alguns n&uacute;meros chegaram at&eacute; atrasados, depois que o jogo, pelo calor ou pelos acontecimentos, evaporava mais do que suava, tr&ecirc;s apitos iniciais de sa&iacute;da de bola, tr&ecirc;s gols do time Reserva. As arquibancadas quase cheias, as fam&iacute;lias a testemunharem os Titulares, os melhores da cidade, perderem assim, de lavada, para aqueles que tinham perdido, de lavada, a chance de ter seus nomes em caixa alta. T&aacute; tudo certo, Caique, mas se &eacute; pra ser reserva de um timezinho mequetrefe desses, voc&ecirc; vai &eacute; trabalhar comigo na mercearia ou de auxiliar administrativo l&aacute; na prefeitura. E a m&atilde;e do Caique nem foi ao jogo, pelo filho reserva n&atilde;o iria; a surpresa foi mesmo o prefeito, sempre t&atilde;o ocupado, dessa &uacute;nica vez apareceu por l&aacute;. Achou que passaria rapidinho, o microfone, o palavr&oacute;rio, o apito inicial e um at&eacute; breve, mas havia um qu&ecirc; de magn&eacute;tico no jogo. Faltava uma semana para o campeonato estadual e com a classifica&ccedil;&atilde;o in&eacute;dita veio o patroc&iacute;nio, a faixa de oito metros na entrada da cidade, a primeira-dama da faixa, a convencer o marido, o prefeito, que com esse menino a&iacute;, na pior das hip&oacute;teses, o time seria semifinalista. Foi ela quem disse logo cedo, por tr&aacute;s dos &oacute;culos cravejados de strass, apare&ccedil;a l&aacute;, meu bem, tire umas fotos com os mais arrumadinhos, mas n&atilde;o esque&ccedil;a do Artilheiro, ah, aquele menino, que gra&ccedil;a que &eacute; e, ainda, talentoso.<\/p>\n<p>N&atilde;o fez nenhum gol, o Artilheiro, e j&aacute; est&aacute;vamos l&aacute; pelos trinta e dois minutos de um segundo tempo arrastado tamb&eacute;m por suas chuteiras. Tudo bem que seus companheiros, entre atropelos e assombros, recuperavam tr&ecirc;s dos seis gols marcados at&eacute; ali, empate, afinal, mas ele parecia deslocado daquele purgat&oacute;rio. Vibrava contido por todos os gols, de ambos os lados, como se n&atilde;o fosse esperado dele todo o protagonismo do jogo. N&atilde;o percebia ou, talvez, ignorasse as piadas que surgiam, o prefeito ainda sem saber se publicaria a foto com ele, a primeira-dama a tirar outras tantas, ele vagando pela grande &aacute;rea advers&aacute;ria: parecia enfeiti&ccedil;ado ou elevado. E n&atilde;o pelas c&acirc;meras ou pelos olhos das m&atilde;es, tias e primas dos colegas, tampouco por alguma coisa que tivesse comido ou bebido, embora a todo o momento espalmasse a barriga como quem sente no ventre a vibra&ccedil;&atilde;o das doze badaladas do sino; a igreja da matriz, meio-dia. E n&atilde;o se pode dizer que aquilo era falta de aten&ccedil;&atilde;o, porque se tinha uma coisa que fazia era analisar cada detalhe do campo, os buracos, as pedras recolhidas atr&aacute;s das traves, a placa com a frase incompleta &ldquo;ao nosso&rdquo; pendurada de cabe&ccedil;a para baixo na entrada do vesti&aacute;rio. Caminhava como se fosse um holograma e n&atilde;o uma pessoa, menos ainda um artilheiro daquele calibre, alheio &agrave; trajet&oacute;ria da bola que cruzava seu passeio vez ou outra; seus bra&ccedil;os apoiados sobre a cintura, sim-t&aacute;-tranquilo-vambora-jogar, a concentra&ccedil;&atilde;o de quem desvenda mais do que enfrenta aquilo tudo, at&eacute; a bola. Uma vergonha, a bola; n&atilde;o condizia com o investimento nas camisas <em>sport dry<\/em>, o &ocirc;nibus fretado, ar&#8211;condicionado, estampa de tri&acirc;ngulos coloridos e a promessa de novas traves, quem sabe at&eacute; um gramado no lugar daquela terra-cor-de-telha, se vencessem o campeonato. Craquelada, acinzentada e com um dos pent&aacute;gonos de couro &ndash; bem onde se lia a marca &ndash; pendurado por apenas um dos lados, flamulava a cada par&aacute;bola no ar, ricocheteava a cada encontro com o solo, &agrave;s vezes parecia uma franja l&acirc;nguida, outras uma l&iacute;ngua de fora, debochada e cruel. E voava mais do que rolava no jogo, a&eacute;rea e encantada, como o Artilheiro. Se aproximava, mas parecia decidida a n&atilde;o o tocar e aquela j&aacute; era a terceira bola. As outras duas, isoladas por tiros de meta dos Titulares nos primeiros dezoito minutos, ainda n&atilde;o tinham sido recuperadas (dois grupos de pirralhos, entretanto, partiram em suas buscas). &Eacute; justo concordar com o t&eacute;cnico, ainda que em outras palavras, n&atilde;o h&aacute; ci&ecirc;ncia capaz de explicar a altitude celestial alcan&ccedil;ada por aquelas bolas.<\/p>\n<p>As crian&ccedil;as, sagradas que s&atilde;o, trepavam nos degraus de cimento, alheias &agrave;quele acontecimento, a subir e encontrar os amigos, arremessando papel, modelando avi&otilde;es das embalagens de pipoca, jogando gude de fluoresc&ecirc;ncia esmeralda. Sorriam e iluminavam-se em meio &agrave;s absortas express&otilde;es adultas a cada voo da bola, uma impaci&ecirc;ncia apertada contra as latas de cerveja quente. Pipoca fria, peda&ccedil;os de p&atilde;o e salsicha eram agora atirados por toda parte e a fisionomia enrugada do t&eacute;cnico parecia esprem&ecirc;-lo de fora para dentro, &eacute; s&oacute; um treinamento de rotina, p&ocirc;, ele repetia. Nem mesmo os Titulares acreditavam nisso e, tamb&eacute;m, n&atilde;o elaboravam hip&oacute;teses; mantinham-se distantes uns dos outros, no m&aacute;ximo corridinhas para frente e para tr&aacute;s, acertavam poucos passes, pareciam pebolim. E assim eram volteados, ultrapassados e humilhados pela ginga inesperada do reserva Caique. Transpirava entre os rel&acirc;mpagos em pente 3mm nas laterais do cabelo, um gol, recolhia o l&aacute;bio superior, a engolir as gotas grossas de suor que lhe escorriam pelo bu&ccedil;o; os olhos travados na bola e na trave, dois gols, trave-bola, tr&ecirc;s gols, como se nem os outros jogadores existissem. Gritava, e tudo que se via era seu pomo-de-ad&atilde;o a subir e descer muito r&aacute;pido, vamos-n&oacute;s-vamos-n&oacute;s-veeem-19, vem 23, chamando os outros Reservas. Suas chuteiras e a bola imantadas, e ele a trazia l&aacute; de longe, desde a grande &aacute;rea dos Reservas, atravessando as marca&ccedil;&otilde;es &ndash; mais imagin&aacute;rias do que reais, dada a precariedade do campo &ndash; com o vigor que driblava os jogadores, a correr sem nem olhar pro ch&atilde;o, ziguezaguear pelo meio-de-campo, acompanhado pela arquibancada, boquiaberta, bu&ccedil;o seco, quarenta e tr&ecirc;s do segundo tempo. S&oacute; precisava chutar para o gol, com um, s&oacute; mais um, o quarto dele na partida, n&atilde;o precisaria de mais nada. Eis que ali, bem a sua frente, estava o Artilheiro.<\/p>\n<p>O motivo pelo qual o Artilheiro se encontrava na grande &aacute;rea dos Titulares n&atilde;o &eacute; conhecido, mas estava ali, recolhido como se zagueiro fosse. As duas pernas fincadas na terra, paralelas &agrave;s traves, uma miragem ou um monumento, Caique n&atilde;o saberia o qu&ecirc; mesmo tinha aquele moleque. E tinha; mais do que a sorte de ter namorado a filha do t&eacute;cnico, um chute t&atilde;o potente, um porte respeit&aacute;vel e os cabelos volumosos como o mar em f&uacute;ria. O olhar sereno por entre as sobrancelhas pretas e grossas, a postura de quem &eacute; levado e simplesmente aceita seu destino. Caique tentou um drible, a sa&iacute;da para a direita, esquerda, por debaixo das pernas, todas fracassadas, parecia que, a partir dali, n&atilde;o avan&ccedil;aria mais. Um a examinar o outro. O chute de Caique na canela do Artilheiro foi um erro manifesto, o apito de falta, acr&eacute;scimo de quentura a aquecer ainda mais o corpo, anestesiar o inc&ocirc;modo que n&atilde;o pode ser compreendido. Que merda &eacute; essa, agora?, perguntou o Artilheiro ao colega e esse foi um dos poucos momentos em que Caique sentiu-se fraco.<\/p>\n<p>O carro de som anunciando m&oacute;veis usados em perfeito estado, o ecoar met&aacute;lico das descargas dos &ocirc;nibus na avenida e o zumbido das obras na pracinha sobrepunham-se a aliviar os &uacute;ltimos suspiros de um jogo quase-importante. O prefeito a falar qualquer coisa com o t&eacute;cnico, o t&eacute;cnico a invadir o campo com a rouquid&atilde;o esperada para um jogo de rotina. Caique pede aos Reservas, pelo-amor-de-Deus, vistam seus n&uacute;meros de volta, retomem suas posi&ccedil;&otilde;es, o jogo n&atilde;o terminou e, na arquibancada, os que n&atilde;o sucumbiram ao calor, levantam-se em aten&ccedil;&atilde;o. O Artilheiro a encar&aacute;-lo, quer ele mesmo cobrar a falta, reclina-se sobre a bola ajeitada no p&eacute;, uma l&iacute;ngua ou uma franja. Caique a fixa, a fugir daquele olhar. O Artilheiro n&atilde;o s&oacute; tem esse qu&ecirc; reconhec&iacute;vel, como &eacute; real e gigantesco, se afrontado de perto. O apito ressoa, a bola estoura dos p&eacute;s do Artilheiro em uma triangula&ccedil;&atilde;o perfeita, que atravessa o campo em chuteiras Titulares e, ao alcan&ccedil;ar a grande &aacute;rea advers&aacute;ria, &eacute; devolvida ao Artilheiro, diante do gol. Caique chega ofegante e se entrep&otilde;e &agrave;s traves. O chute explode contra o peito dele e o rebote &eacute; do Artilheiro enquanto o Reserva se refaz, chama por refor&ccedil;os que n&atilde;o aparecem e reclama uma falta que n&atilde;o existe. O juiz sinaliza a jogada que segue, mas o Artilheiro espera, prepara o lance: os dois se enfrentam e quase se enganam, a uma cotovelada de um enorme equ&iacute;voco. Um grupo de meninos vem caminhando pelo meio da pra&ccedil;a, cantando alguma cantiga religiosa, alternam-se segurando uma das bolas perdidas. Crian&ccedil;as e pombos n&atilde;o sentem o peso do tempo suspenso, o calor que faz um meio-dia vencido.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leia a seguir tr&ecirc;s contos curtos de Nicole Alfieri, Flavia Castro e Ang&eacute;lica Bevilacqua &ndash; participantes das oficinas de escrita criativa de Noemi Jaffe na Escrevedeira. 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